16.3.10

Perdeu Playboy

Devemos estar sempre preparados para os momentos PerdeuPlayboy da vida, que podem nos arrebatar em diferentes gradações.

A pontuação master do PerdeuPlayboy foi o recente Perdeu Playboy Haiti, e suas variações Perdeu Playboy Chile, Perdeu Playboy Placas Tectônicas Cambaleantes pelo mundo.

Nele, perde-se o teto, o chão, e só sobrevive quem por sorte não perdeu aquela garrafinha de coca-cola de 300 ml que te mantém vivo nos escombros por mais de 10 dias.

A escala intermediária é o Perdeu Playboy Hélcio, batizado assim em homenagem a um amigo meu que, na década de 90, teve a mala roubada na rodoviária Novo Rio e ficou, de uma hora para outra, sem todas as suas roupas, com exceção das que ele tinha no corpo. Mesmo sendo ele um espécime do sexo masculino, desapegado de grifes e drapeados da moda, Hélcio não se recuperou. Vez por outra, tinha momentos nostálgicos ao encontrar a foto de uma antiga bermuda que, ingrata, nunca mais lhe mandou notícias.

O terremeto que abalou minha vida recentemente foi o moderníssimo Perdeu Playboy HD.
Como todos sabem, ou deviam saber para evitar essa modalidade de Perdeu Playboy em suas vidas, o HD é uma caixa dentro do computador que guarda tudo que está lá e que pode eventualmente, e especialmente numa quinta-feira pós-apagão, queimar.
Ou corromper, para usar o termo técnico, exterminando coisas bobas, comparadas à tremores de terra de 7.8 na escala ritcher, como mais de 300 mil fotos de uma pessoa completamente obcecada por registros, mas não por backups.

Textos inéditos, quem sabe genais, que nunca mais terão a chance de ser publicados ou de me levar a cadeira 36 da Academia Brasileira de Letras, que agora está até de fardão novo.

Assim como as vítimas do Haiti, a primeira reação a um PerdeuPlayboy dessa magnitude é a espera de um milagre.
“Sim, os Estados Unidos vão ajudar!” Ou: “Parece que existem oficinas especializadas em recuperação de dados…”

Depois, dá aquela sensação de liberdade ressentida. Ora, se paredes já que elas caíram, não preciso mais consertar as infiltrações. Posso viver numa barraca na base militar brasileira, posso passar o resto dos meus dias só com as fotos de papel.

Mas, passada a fase libertária, o individuo percebe que o único caminho é esquecer.
Esquecer tudo o que ficou para trás e só guardar um único ensinamento na memória, devidamente copiado para o pen-drive: ups, don´t do it again.

Um comentário:

Perla Kahoane disse...

Aff! Nem fala!!! Levei um perdeu playboy do meu pc também nesses últimos dias de queda de luz!!
Ninguém merece!!
Beijinhos
Te adoro!
Saudades!!!