23.6.09

A Turista Rebelde - dei um pulo e voltei

Adaptar uma história real pode exigir mais talento do que inventar.
Falo isso porque acabo de voltar de Londres (digo"Acabo de voltar de Londres", como se eu voltasse sempre de Londres e tivesse uma malinha pronta com a etiqueta Londres, outra com a etiqueta Nova York, outra Paris), onde vi montagens Romeu e Julieta e Hamlet -- histórias que já existiam timidamente antes de serem contadas por Shakespeare, e estão aí atravessando os últimos seis séculos para provar a teoria.

A primeira, com Jude-gato-Law (yeah, morram de inveja.), e a segunda, de rua, bem popular, à margem do Tâmisa, com interação da platéia, do jeito que Shakespeare gostaria de ver. Acho.



Também dei um pulo na Áustria (como é bom dizer "Dei um pulo num lugar tipo Áustria", assim como "Dei um pulo em Nova York", "Dei um pulo em Paris", mesmo que a minha realidade seja muitas vezes "Dei um pulo na Senador Dantas".

Em Salzburgo, visitei os locais onde a história dos Von Trapp foi recriada para o cinema, em A Noviça Rebelde. O filme é outro exemplo de realidade recontada, que vem se mantendo forte nos últimos 45 anos, graças à adaptação de Robert Wise.



Entre as curiosidades da realidade alteradas para a ficção:
1 - A familia Von trapp não teve aquela fuga romântica, a pé pelos Alpes. Eles pegaram um trem, com malas e tudo, dizendo que iriam fazer um show nos Estados Unidos. Tranquilidade total.

2 - Ficaram 10 anos em Salzburgo, sob domínio nazista, esperando para ver se as coisas melhoravam. No filme, tudo acontece na volta da lua-de-mel.

3 - Maria e o Barão só se casaram nos Estados Unidos, depois de 11 anos por lá. Sem paixão, para oficilizar a situação. "Eu realmente não estava apaixonada. Eu gostava muito dele, mas não o amava. Eu amava as crianças, então, de uma certa forma, eu me casei com as crianças", disse ela em sua biografia.

4 - O Barão não era sisudo, nem odiava música, como o personagem do filme. Foi ele o primeiro a incentivar os filhos a tocaram e cantarem. Como não tinha televisão, cantar era uma atividade comum entre eles, antes da chegada de Maria.

5 - A mansão do filme não era a residência da famila e sim do antigo manda-chuva da região. A casa real era bem menor. O lago e o gazebo da pegação também ficavam em propriedades diferentes, que foram reunidas na edição.

6 - Julie Andrews cantou em estilo yodelling, graças a uma dose da cachaça austríaca – schnapps. Ela não conseguia tocar e cantar ao mesmo tempo, sem esse tipo de, digamos, incentivo.

7- A queda das crianças no lago não estava no script. Foi um acidente que o diretor Robert Wise aproveitou.

8 - A Maria de verdade não era aquele docinho de coco. "Ela tinha um temperamento terrível. De uma hora para a outra, ninguém sabia o que acontecia com ela. A gente apenas esperava a tempestade passar, porque no minuto seguinte ela podia estar gentil novamente", disse sua filha caçula, numa entrevista.

9 - As hills não eram austríacas, mas alemãs.

Por essas e por outras, estou com shakespeare e hollywood: por uma boa história, quem se preocupa com veracidade dos fatos?



O que os turistas costumam fazer no tour:
- saem correndo pelas colinas, se sentindo Julie. Tenho o vídeo meu fazendo isso, óbvio, mas não vou postar, não insistam.

- dançam I´m sixteen nos bancos do gazebo (ou caramanchão, ou coreto, já tive discussões acaloradas sobre como denominar a estrutura de metal e vidro durantes os últimos dias), e administração do local agora mantém tudo trancado. Com razão.




- Se você der um google "gazebo sound of music" vão aparecer milhares de imagens iguais a essa minha aí de cima.

3 comentários:

Perla Kahoane disse...

Ah! Que bom que voltou! :D
Estava morrendo de saudades!!!
Beijos

Cássia disse...

Aiê, eu quero!!!! O Márcio me chama sempre de "roliça rebelde" ;-)

Lá Cristina disse...

Saudades!!!