14.5.09

Gripe Suína e a Vergonha da Minha Máscara Cirúrgica

Pode parecer pitoresco para quem tem menos de 30 anos.
Mas em priscas eras, mais precisamente nos anos 80, as fármácias não tinham produtos expostos em gôndolas no estilo self-service de hoje.
Muitos artigos altamente constrangedores, como absorventes íntimos, camisinhas, fraldas geriátricas, tinham que ser pedidos assim, na lata, encarando o balconista.
- Pois, não? - ele perguntava, quase adivinhando do que se tratava pela cor de suas bochechas em tom carmim.
- Hã.... ehh... hum... Nada não.
A maioria saia correndo.
Ou fingia estar com dor de cabeça e comprava uma aspirina (naquela época não tinham inventado a neosa, minha deosa, e o ácido acetilsalicilico dominava as paradas de sucesso)
Levava séculos até que uma adolescente, ordenasse, com segurança:
- Ei, você aí, me vê três pacotes de Sempre Livre!
(naquela época, ainda não tinham inventado o Intimus Gel, com suas 70 variações, com aba, sem aba, supeseca, seca e suave, e a gente tinha que se virar com três opções: sempre livre, moddess (que batizou o termo) e o terrível: Ela!, que só tinha uma linha adesiva vagabunda que vivia descolando.
Mas vou poupar vocês dos detalhes sórdidos dos meus ciclos do passado, afinal, esse post não é sobre aqueles dias, e sim sobre o fenômeno chamado "Vergonha Do Balconista Da Farmácia".
Que também se estende a outros tipos de comércio, claro:
- Moço, o corpete de tachinhas, com coleira, tem no meu tamanho?
- Que tipo de metralhadoras vocês têm, hein? Alguma em promoção?
- O chicote dá para parcelar em quantas vezes?
(espertos foram alguns laboratórios de análises clínicas que recentemente passaram a oferecer potinhos brancos, em vez dos transparentes.)

Ontem, tive uma greve crise da Vergonha do Balconista,
que não me aflingia desde 1984, quando o absorvente "Ela" ela saiu da minha vida.
O caso é que vou viajar daqui a 20 dias.
Não para o México - mas para 4 países, em que farei 6 viagens de avião, num total de muitos aeroportos, que nada mais são do que confluências infectas de vírus vindos de todo planeta.

- Quem poderá me garantir que o alemão ao meu lado no check-in em Munique não acaba de chegar de Cancun?
- ou que no corrimão da escada rolante em Londres não há um vírus trazido por alguém do Texas?
- ou que a inofensiva senhorinha de Portugal que me vende pastéis de nata não tem um neto que mora em Miami e está passando uma temporada com ela?
Quem? Quem?
Eu digo: A máscara cirúgica bico de pato.
Só ela salva.
Aos críticos que me julgam, eu pergunto:
Por que não? Just in case. Só para ter na bolsa. Tipo um rivotril de segurança.
O único inconveniente é pedir. Enfrentar o julgamento do balconista que, das duas, uma: vai te considerar neurótica ou infectada.
Em ambos os casos, além do desprezo, ele fará de tudo para se esquivar de você. Coisa que magoa e eu tenho sérios problemas com a rejeição.
Na primeira farmácia, nem olhei para o funcionário:
- Máscara cirúgica. - falei seca, meio para dentro, como uma senha.

Na segunda, pedi com raiva dos espertinhos que acabaram com o estoque da farmácia anterior. Os sem-vergonha agora estavam mais a salvo da gripe suína do que eu:
- Tem ou não tem, meu filho?
Na terceira, adotei um tom festivo. Afinal, se todas as pessoas da cidade estavam comprando máscaras cirurgicas, eu seria apenas mais uma:
- Oi, tudo bem?!! Aquelas máscarazinhas da gripe, do porquinho. Que estão aí nos jornais... Tem?

Na quarta, tentei fazer a linha investigativa:
- Mas me diz uma coisa: "não tem" porque vocês nunca tiveram ou porque o pessoal já levou tudo?

Na quinta, já descrente quanto ao futuro da humanidade, antecipei a negativa:
- Acabou, né? Pois é. Pessoal não perde tempo. Não tem previsão para chegar, não, né? Sabia.

No dia seguinte, me mandei para uma loja de artigos médicos e lá adquiri TRÊS lindos exemplares: a superultramaravilhosa bico de pato, de 7 reais, que nao passa nada, nem o bacilo da tuberculose (ufa! bom saber - foto acima), e outras duas decorativas, de 0,50 cada (foto abaixo). Uma delas, zelosamente reservada para um quase impossível interesse do Pedro.

Só que em vez de ficar tranquila após minha aquisição, uma ansiedade vem crescendo desde então:
Como uma pessoa que tem Vergonha do Balconista vai ter coragem de ficar circulando em aeroportos internacionais com uma máscara cirúrgica na cara?

Assim que eu colocá-la, alguém provavelmente vai achar que estou doente e me levar para algum isolamento eterno, numa quarentena de filme de ficção.
Pedro terá sua vida de volta e eu ficarei para sempre, vagando em hospitais europeus, prisioneira de uma suspeita, talvez já infectada por meus companheiros de cela.
Já posso ver as manchetes dos jornais:
Brasileira mascarada desaparece sem deixar rastros

Triste fim.
Bons tempos em que eu só me preocupava com a opinião um jovem balconista.
Bons tempos em que passar um repelente contra a dengue era um ato invisível e aceito socialmente.


P.S: Porco nunca foi meu forte. Vejam esse post de 2005!

9.5.09

Pé no Presente com Polly

As filosofias orientais aconselham: uma vez estando no presente... esteja no presente.
Colocar esse ensinamento em prática é o grande privilégio da infância. Me desculpem se pareço óbvia, mas, para quem tem menos de 8 anos, o futuro simplesmente não existe.
E nem falo da vida adulta.
Mas do futuro próximo: o banho dali a cinco minutos, o jantar dali a meia hora, o sono dali a duas, a escola do dia seguinte, a festa do sábado, a apresentação do balé no fim do mês.

Alguns pensamentos que JAMAIS passariam pela cabeça de uma menina de 5 anos brincando com sua Polly.
– Putz. Essa Polly está meio caída. Não posso esquecer de pedir outra pra mamãe. Vou aproveitar que no fim do mês, sem ser nesse fim-de-semana, no outro, é o meu aniversário. Nossa, já são 11h30! Hora do banho. Aliás... meu shampoo está acabando. Não me dei bem com esse novo Loreal Kids Explosão de morango. Aliás, morango em inglês é strawberry. Que fruta será que a professora de inglês vai ensinar amanhã? Amanhã é quinta, né? Claro. Ontem foi terça, dia do balé. Ai, por falar em balé! Será que o papai já consertou a câmera de filmar dele? Minha apresentação tá em cima. Quero tudo registrado. Pra mostrar para minhas netas, sabe?

Pensamentos que passariam pela cabeça de uma menina de 5 anos brincando com sua Polly.
Não faço a mínima idéia.
E essa é a graça.
Minha imaginação limitada sugere que seria algo como: "Oi, meu nome Polly, e o seu?"
Mas pode ser apenas mitificação da infância.
De qualquer forma, o foco é a Polly, que está ali, protagonista do presente, e não na lista de tarefa futuras que nos transportam para além do agora, pelo vício das livres associações.

28.4.09

Descubra Steve Coogan

Tenho a triste desconfiança de que a maioria das pessoas não sabe quem é Steve Coogan. (se você acabou de pensar: "mas quem diabos é Steve Coogan?" minha tese acaba de ser comprovada).

Steve Coogan é o comediante inglês mais genial e engraçado da atualidade, que tem entre suas criações o apresentador de talk-show decadente Alan Patrigde. Veja clipe abaixo:
http://www.youtube.com/watch?v=wbU9aiCNUAE&feature=related

Ele brilhou no meu fim-de-semana, dessa vez com o DVD "Hamlet 2", que no Brasil ganhou o estimulante título "Perdendo a Noção" - sinceramente, não consigo imaginar alguém que realmente prefira alugar um filme chamado "Perdendo a Noção" a um chamado "Hamlet 2".

O filme é escrito por Pam Brady, uma das roteirista do South Park, que fez Alan virar Jesus Cristo e outros ícones pop bem no estilo south.

Descobri Steve tardiamente, em A Festa Nunca Termina, e, desde então, fico torcendo por filmes estrelados por ele, filmes como o ótimo Álibi, com a Rebecca Gostosona-Stamos.

Com a mesma intensidade, alimento secretamente - agora nem tanto, já que estou fazendo essa revelação -meu ódio contra Ben Stiller.
Ben vive convidando Steve para pontas em seus filmes absolutamente sem graça, como Uma Noite no Museu, achando que está fazendo um grande favor ao mestre. Blargh.

(E não me venham encher minha caixa postal com campanha pró-Ben, que para mim ele é nem pepino: intragável.)

16.4.09

Se liga, Lingerie!


Alguém foi pago para inventar o nome,
outro para criar o logotipo,
outro para registrar em cartório,
outro para fazer o layout da embalagem.

Antes de chegar ao balcão dessa farmácia,
o produto ainda passou por gráficas,
linha de montagem,
distribuidores,
e mesmo assim, com tanto investimento,
ninguém foi capaz de avisar que não é assim que se escreve?
Francamente.

- Erro na carrocinha de çacolé a 1 reau, ainda vai,
mas quando chega à indústria é preocupante.

7.4.09

Dr. House Barata


Monstros X Alienígenas, animação da Dreamworks, que está em cartaz nos cinemas,
traz o ator Hugh Laurie, nosso querido Dr. House,
fazendo a voz do também brilhante e também excêntrico Dr. Barata.

A diferença: Dr. Barata é um gentleman.
(p.s: não ficaram parecidos?)

29.3.09

O Fim do Show Ao Vivo - A-ha e Celulares

Morten Harket, vocalista do A-ha, está tão feliz em seu show no Rio, You´re a great audience, thank you, que resolve pedir um mimo à platéia:
- Come on! Clap your hands!
Na casa de shows, só fãs, do tipo que jamais negariam um pedido ao seu ídolo maior.
-Come on! - Morten, incentiva, diante da aparente timidez do público.
E nada.
Nem um clap.
Ninguém nem tchum.

Meio sem graça, o bonitão nórdico dá um olhar cúmplice para o tecladista, como quem diz "acho que eles não entendem mesmo inglês" e começa a bater palmas acima da cabeça. Gesto que até os bebês compreendem e que significa: "Será muito humilhante se vocês continuarem se negando a fazer isso por mim".

E, mesmo assim, ninguém se mexe.
E eu lá pensando:
-- Poxa vida, o cara vem da Noruega, tocar no Via Parque, e ninguém é capaz de fazer a felicidade dele?
Foi aí que eu, uma blasé convicta, que nunca bate palmas quando o cantor manda, que ouvia o A-ha há MAIS 20 anos só por causa da minha amiga Andrea Vianna e que apenas vagamente me lembro das letras das músicas, fico com pena do pobre Morten e começo a bater palmas em cima da cabeça, e acho até, que - num gesto de solidariedade digno dos grandes mártires da humanidade -, chego a balançar os braços e fazer um "urúú."

Mas Morten não me ouviu. Apenas desistiu de tentar interagir. A pláteia não podia bater palmas. Estava de mãos ocupadas, filmando vídeos escuros em que o personagem principal é a cabeça de quem está na frente, e tirando fotos terrivelmente fora de foco que serão todas deletadas depois.

Sim, senhores: os celulares trouxeram o impensável fenômeno do fim do show ao vivo. Atualmente, o público in loco prefere colocar um intermediário entre si mesmo e o artista, no único momento em que o contato poderia ser direto. Fãs na primeira fila agora assistem a tudo atráves do visorzinho minúsculo do celular.

Não sei se tal fenômeno se dá porque...
- cada um quer ter sua própria edição do show,
- ou se o registro ficou mais importante do que o momento,
- ou se as pessoas querem apenas provar que estiveram lá.
Quando, na verdade, não estiveram.

p.s: Como vocês podem notar, eu também tenho celular com câmera, com o qual tirei as fotos acima, mas juro que foram só duas e rapidinhas. Vi o show com os meus próprios olhos. Afinal, não fiquei duas horas no trânsito para ver tudo em escala 3x4.

20.3.09

Falando em ginástica... Baby Consuelo, nossa Angelina Jolie

Hoje, fiz spinning do lado de uma das filhas de Baby Consuelo.
Mas qual?
Passei 45 minutos pedalando e estimulando também o meu cérebro com o exercício mental, talvez até mais cansativo do que as três séries de acelerações de 45 segundos na posição dois, de me lembrar dos nomes dos componentes daquela superprole.

Enquanto minha frequência subia, meus neurônios se agitavam "Riroca não é. Essa deve ser a do meio. Ou a menor. Mas eram quantos mesmo? Cinco? Seis? Um era homem? Ou dois eram homens?"

Não lembrei. E olha que tentei. Inclusive, me dediquei mais a responder a essa pergunta do que à subida de 8 minutos no final que achei que fosse piada da minha querida professora Alê.

Não lembrei dos nomes, mas lembrei que Baby Consuelo era uma espécie de Angelina Jolie da minha adolescência -- só que com mais coragem, já que todos os filhos saíram de sua própria barriga e numa época em que ser mãe era totalmente out, e que ainda não tinham inventado o spinning para trazer o corpinho de volta - coisa que Baby realmente fazia (vide foto acima).

Não lembrei, mas fui procurar na internet. O que de nada adiantou, já que a internet é feita por pessoas desinformadas como eu que também confundem as irmãs.
Até que encontrei um site feito sob encomenda para addicteds em informação: http://www.oragoo.net/, tipo o oráculo.
Lá estava:
Qual o nome dos filhos de Baby Consuelo e Pepeu Gomes?
- Sarah Sheeva(que antes se chamava Riroca), Nana Shara e Zabelê, que formavam o grupo SNZ, Kriptus Rá, Krishna Baby e Pedro Baby.

(Com link direto para: Qual o nome dos três porquinhos?
Em 1933, o desenho Disney deu aos porquinhos os nomes Fifer Pig, Fiddler Pig e Edmund Pig. No Brasil, eles são Cícero, Heitor e Prático
.
GE-NI-AL, né!? Mas é outro post...)

Procurando pelo nome, cheguei a um resultado que me satisfez: minha colega de turma é Zabelê, a que está com vergonhinha atrás das pernas da mãe na foto lá acima. A mais baixinha na foto com a irmã Nana Shara.

P.s: Ufa! Agora posso descansar. Dá para imaginar quantas calorias perdi nessa brincadeira?

P.s2: Informação, mesmo que inútil, é como endorfina: uma delícia.

Perguntas que Intrigam

Como as pessoas conseguem fazer ginástica sem prender o cabelo?

18.3.09

Você é Uma Pessoa de Verdade?

Há algum tempo criei uma comunidade no orkut, que injustamente contabiliza notáveis 4 membros (entres eles, eu mesma, o que reduz esse número para 3 membros que realmente contam).
Apesar do baixo quórum, a comunidade reflete um dos grandes dos vícios da vida digital.

Repetir em voz alta os códigos de letras tortas, que os sites nos desafiam a digitar para comprovar nossa humanidade.

ingk
zhuns
andas
molantes
hent
semlb

Se você é como eu e também...

1 - Fica que nem um doido, em frente ao computador, repetindo essas palavras aleatórias.

2 - Torce para ser brindado com uma palavra cheia de consoantes e, por isso, mais difícil de ser reproduzida

3 - E ainda se questiona internamente diante da pergunta existencial "Você é uma pessoa de verdade? Então digite o código ao lado.", junte-se a nós quatro!
http://www.orkut.com.br/Main#Community.aspx?cmm=33255156

14.3.09

Reflexões (não minhas, mas de pessoas geniais) Sobre o Humor

O bom humor é a única qualidade divina do homem
Schopenhauer

O humor nos alivia das vicissitudes da vida, ativando o nosso senso de proporção e revelando-nos que a seriedade exagerada tende ao absurdo.
Chaplin

12.3.09

Se as celebridades fossem pessoas comuns...

O mérito não é meu. Vi outro dia na MTV.
Tem um site americano que simula como as celebridades seriam se não estivessem tão preocupadas com a imagem. Se fossem pessoas comuns, circulando em lugares desprovidos de glamour.

Algumas seriam gordas, outras exibiriam um corte de cabelo fora de moda, outras teriam óculos de grau sem estilo, como a Scarlett Johansson aí de cima, ou simplesmente, no caso dos homens, teriam perdido o cabelo, como o John Travolta aí de baixo.
Nada mais normal, certo?


Veja outros exemplos de celebridades feias:
Kate Winstlet

Nicole Kidman

Britney Spears

Johnny Depp
O link para ver outras montagens como essas é o que aparece nas fotos: http://www.planethiltron.com/

P.S: A brincadeira acabou me inspirando e resolvi fazer comigo mesma no Photoshop. O triste é que o resultado ficou um tanto próximo demais da realidade para o meu gosto.Não ficquei a cara da Christina Ricci?

10.3.09

MANUAL DA DONA DE CASA MONGA: Como trocar uma lâmpada

Nenhuma dona-de-casa, mesmo que monga, precisa de ajuda para trocar uma lâmpada. Em vez de testorena, o único elemento necessário, além da lâmpada nova, é uma escada, cadeira, ou movél alto, capaz de te levar às alturas.

COMO FAZER:
1 - Suba na escada.
2 - Desenrosque a lâmpada. A título de curiosidade, dê uma olhada dentro e veja se a micromola que ligava duas anteninhas está solta. É assim que identificamos uma lâmpada queimada. Se a micromola estiver inteira, pode ser apenas uma problema de má-enroscação.
3 - Enrosque a lâmpada nova no bocal.
4- Desça e - tarã! - faça o teste do interruptor.
Achou simples? Nem tanto.
O número de tragédias decorrentes dessas ações é assustador. Veja como se preservar de...

QUEDAS
- Só porque você subiu numa escada quando estava sozinha em seu apartamento não significa que você irá cair, bater com a cabeça, ficar inconsciente, e só ser encontrada um mês depois porque os vizinhos começaram a estranhar o jornal acumulado na sua porta. Antes de subir, respire fundo para evitar delírios paranóicos. É só firmar bem a escada e subir um degrau de cada vez, sempre focada no seu objetivo. Chegar lá.
- Ao alcançar a altura desejada, nunca, jamais, em hipótese alguma, olhe para baixo. Mantenha a cabeça erguida e uma das mãos no teto para dar segurança. Lembre-se do que a curiosidade fez com a pobre Pandora.

- Muitas quedas decorrem do fato de não sabermos o que fazer com as mãos. Em determinado momento, no topo da escada cambaleante, você estará as voltas com duas lâmpadas soltas. A dica é estar com bolsos largos, onde elas podem ser colocadas. Ou ter uma poltrona ou sofá por perto para atirar a lampada queimada, sem o perigo de cortar o pé depois.

- A proximidade de um sofá (macio e sem braços de madeira ou metal, por favor!) pode dar segurança a quem tem muito medo de cair. Em caso de desespero, em vez de aceitar a escuridão, forre o chão em volta da escada com almofadas e edredons.

CHOQUES
- Para que não haja a mais remota chance de choque, basta desligar a chave de força. Se bem que duvidamos que alguém com medo de trocar uma simples lâmpada, tenha coragem suficiente para abrir um quadro de luz.

- Se você não teve coragem de desligar a chave, chinelos sempre. Mãos secas. E nunca coloque a mão em nada que não seja o vidro da lâmpada.

DICAS PRÁTICAS:
- Compre sempre mais lâmpadas do que precisa e faça um estoque.
- Se você não tiver lâmpadas-reserva, roube de um abajur.
- Compre lâmpadas de vidro colorido para festas e noites românticas.
- Fuja de lâmpadas dicroicas com reatores. Elas são indicadas para donas-de-casa nível avançado - o que definitivamente não é o nosso caso.

27.2.09

Beijos Beijos Beijos

É por isso que eu adoro Portugal.
Vocês acreditam que existe por lá uma aldeia chamada Beijos?
Ou melhor, Beijós.
Quando vou a Portugal, escolho hotéis, restaurantes e cidades pela fofura.
Uma vez, em Miranda do Douro, fiquei num hotel só porque ele se chamava "A Morgadinha". (não parece título de romance de Camilo Castelo Branco?)
Em Évora, o dono de um dos melhores restaurantes da Europa, o Fialho, se chama "Sr. Amor"!
Fui lá duas vezes, só para me empaturrar daquele arroz de lebre e poder dizer:
- Bom Dia, Sr. Amor.
- Boa noite, Sr. Amor.
- Como vai, Sr. Amor?
- Estava tudo maravilhoso, Sr. Amor.
E ouvi-lo responder:
-"Obrigadinho".
A chameguice brasileira só pode vir de lá.

Para quem quiser dar uns beijos em Beijós, é só seguir o google maps:

20.2.09

Ficadas e Ficantes

FICADAS
Só penso nisso.
Que meu marido não me leia.

Já estou na página 90.
Me aguardem.

16.2.09

28 luas

Eu parecia uma panela de pressão prestes a estourar.
Com aquela vontade incontrolável de devorar até a embalagem do biscoito.
Na festa, fiquei abismada como todas as pessoas podiam ser tão imperdoavelmente feias.

Sim, só podia ser ELA.
- Pedro, qual foi a última vez que eu fiquei totalmente insuportável, e bem mocréia, igual a hoje?

Batata! 28 dias antes.

Hoje a cabine despressurizou.
Mas, como parte de um ciclo, ela vai voltar.

4.2.09

E o troféu cara de dor de barriga vai para...

Eu sei que é chato.
Não é fácil ser casada com um extraterrestre, capaz de comer a placenta da própria filha, ainda quentinha, assim que ela sai de você.

Maridos extraterrestres comedores de placenta realmente irritam.
Quando o meu, que é terráqueo, pede pão-de-alho num churrasco, eu também perco humor, olho torto, e faço essa mesma carinha de quem não comeu placenta e não gostou, Katie.

Também sei que não é lá muito agradável pegar um helicóptero da Lagoa para Angra em pleno sábado 40oc no Rio. Tudo é muito lindo, muito maravilhoso, mas vai sentir o bafo.

Eu mesma, que naquele dia só sai do ar-condicionado depois das 18h, ao te ver no heliporto, cheguei a ter um momento de compaixão - mesmo tendo jurado nunca sentir pena de alguém que tenha se casado, por livre e espontânea vontade, com um comedor de placentas que ganha milhões de dólares.

Sei também o quanto pode ser estressante curtir uma praia na Urca, onde o nível de coliformes na areia é alarmante. Você deve ter ficado tensa, claro, achando que Tom poderia comê-los. Ou que Suri, tendo puxado ao pai, quisesse ser abduzida por uma língua negra.

Mas são as escolhas que fazemos na vida, Katie.
E essa sua cara de c*não vai mudar nada.
Pensa nisso e mostra logo esses dentes.

p.s:
descobri duas coisas extraordinárias sobre a Kara de K* de Katie:
1 - Ela não vem de hoje. A companhia mudou, mas o sorriso "ai que saco" é o mesmo. Olha ela com os fãs no início da carreira.


2 - As únicas aparições públicas dos dentes brancos de Katie foram na ficção.
Me digam se esse sorriso fofinho não era o que ela tinha de melhor?
Ai, ai, bons tempos de Dawson´s Creek...
Cadê o Pacey para fazer essa menina feliz novamente?

1.2.09

Filhinha da mamãe

Levanta o dedo quem acha que eu ando influenciando?



29.1.09

Vida selvagem

Os passarinhos do meu ar-condicionado finalmente foram embora,
porém,
no dia seguinte, apareceu um gambá, não no ar-condicionado, mas na árvore em frente, mortalmente ferido com uma mordida de mico na cabeça.

Olha o coitadinho na foto acima, todo zozó, depois da briga.

Acho que nunca morei numa vizinhança tão violenta.
A lei da selva impera na minha rua.
Hakuna matata!

Não se deixe enganar...

Se, de repente, um desconhecido que você nunca viu antes, lhe disser, fazendo charme e subindo a sobrancelha:
- Uau, hoje você está parecendo uma pintura barroca...

Não caia feito um Alejadinho de muletas, achando tratar-se de um elogio.

O sujeitinho não está querendo dizer que você é uma obra de arte ou um anjo caído de Ouro Preto - só encontrou um jeito de te chamar de gorda sem levantar maiores suspeitas.

As reproduções de Vermeer (acima) e Rubens (abaixo) não deixam dúvidas sobre os arredondados padrões de beleza renascentistas.
Numa mesma frase, seu interlocutor conseguiu não apenas te esculhambar, como ainda passar por grande conhecedor das artes. E pior: está certo de que você está feliz com a comparação e ainda vai achá-lo ilustradíssimo.

Meu recado vai em linguagem não-pictórica, com contrates fortes, cheios sombra, bem ao gosto da época:
-- Vai pro Caravagggio, meu filho! Barroca é a mãe!

P.S: Homens, atenção: nunca, nunca, nunca, jamais, em hipótese alguma, digam que uma mulher engordou.
Nem que ela seja uma pintura de Botero.
Simplemente não diga.


Outra lembrança:
A musa lá de cima, de vermeer, foi intepretada no cimena pela musa (da vez) de woody allen, scarlet johanson, que de barroca não tem nada.

8.1.09

A insônia e a crueldade

Quantas noites sem dormir até sermos capazes de matar bebês-passarinho?

Um zeloso casal de sabiás considerou o vão do meu ar-condicionado um ótimo lugar para criar os filhos.
Um condominio de luxo com ronco de motor para ninar filhotes, parapeito contra chuva e localizado a poucos metros do galho mais próximo. Sonho máximo da classe média sabiazense.

Mas esse delicado ninho, com gravetinhos cuidadosamente escolhidos, milimetricamente posicionados, escorregou na falta de sorte ao ser construído atrás da parede de uma moça que, mesmo incapaz de matar filhotes, realmente precisa dormir.

Há três madrugadas, tenho delírios agitados pela piadeira das 5, imaginando estar empurrando os bebês.

Há três dias, abro a janela decidida a fazer algo que não sei bem o que é. Pego o cabo de vassoura e eis que eles aparecem: os pais - o casal de sabiás dando rasantes desesperados na frente da minha janela para tentar me impedir do crime.

A pergunta é: até quando?
Aqui, um dos progenitores dos bebês, em vigília , fazendo guerra de nervos comigo.